Ainda vale à pena investir na vida a dois

Ainda vale à pena investir na vida a dois

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A solteirice nunca foi tão valorizada como atualmente. É fácil perceber isso nas situações mais simples, cada vez mais os imóveis menores para um único morador. No supermercado, a cada dia surge um novo e prático produto para quem mora sozinho e não necessita de um grande mercantil. As baladas lotam de homens e mulheres que buscam ali a sua diversão sem necessariamente precisar de uma companhia. Mas, na contramão desse novo universo, há ainda quem aposte que estar junto da pessoa amada é mais prazeroso. E não só aposta como faz acontecer... Por Julyana Silveira

“Sua vida social e afetiva não é estabelecida pelo destino: você a determina e descobre que basta dar uma chance para o amor acontecer e, a partir daí, construí-lo passo a passo”, teoriza a psicóloga e terapeuta sexual Zenilce Bruno. Ela, acostumada em receber homens e mulheres com a queixa de que as pessoas não estão querendo se relacionar seriamente, também reforça que não basta “deixar acontecer”, também é necessário para encontrar a felicidade a dois “adotar uma postura consciente de investimento na relação nos dá a sensação de termos algum controle sobre nossas escolhas, sensação essa que nos retira do lugar de vítima das circunstâncias ou de joguete do destino e da vontade do outro”, relata Zenilce Bruno.

A empresária Rosa Aguiar, 44 anos, é um exemplo de quem acredita na felicidade a dois. Mesmo com a separação no primeiro casamento ela não desacreditou de que é possível ser feliz com um parceiro, tanto que ela e o atual namorado estão concluindo os planos de dividirem o mesmo apartamento. “Sou uma mulher independente, mas acho que não vale a pena você viver sozinha. É bom ter uma pessoa ao nosso lado, para dividirmos momentos bons, desde que seja uma pessoa que te valorize e te ame verdadeiramente. Mesmo tendo chegado ao fim meu primeiro casamento, com certeza sou uma mulher realizada no amor e muito feliz em construir uma nova história com outro amor”, reforça a empresária.

Para a psicóloga Zenilce Bruno, o que faz muitos homens e mulheres terem um pensamento diferente da empresária e passarem a desestimular a felicidade a dois é a busca da perfeição no outro e o fato de não cederem na relação. “Os homens tem um padrão de escolha mais determinada e, portanto, mais exigentes em suas escolhas. As mulheres, tentando mostrar superioridade, acabam tendo um comportamento contraditório com seus sentimentos, fazendo-os acreditar que são o que não são. Nestas condições, fica difícil decifrar o sinal: amor à vista ou perigo à vista? Em um mundo assim, como escolher?”, explica e interrroga a psicóloga.

Provavelmente sem muitas exigências ou aprendendo que a base de um relacionamento também é ceder ao outro, se respeitando, claro, é possível fazer dá certo e viver uma história de plena felicidade. Mas cada um deve encontrar a sua melhor maneira de conviver dentro de um relacionamento. Como ressalta Zenilce Bruno, não existe uma metodologia infalível a ser seguida por quem quer estar com o parceiro. “Nunca poderia dizer, através de qualquer discurso, que uma boa vivência a dois seria de uma determinada forma. Ela é boa na medida em que faz crescer as pessoas. Torna-se uma forma de enriquecimento quando generosamente acontece o abandono de si e a acolhida do outro. Eu me entrego e acolho o outro. É nessa partilha bonita, democrática e sensível, de gestos e emoções, que o espírito humano se agiganta que o sujeito e o objeto do encontro se transformam em pessoas únicas”, completa.

A psicóloga Isabelle Pordeus, 33 anos, é casada há sete anos e é uma verdadeira “investidora” da sua relação e de uma vida a dois. Isabelle acredita no que destacou Zenilce Bruno, que relacionamento também é crescimento pessoal. “Estar com alguém é mais do que não estar sozinho, é escolher estar junto, dividindo para multiplicar, cedendo para poder agregar, discutindo para aprender como amar mais”, reforça a psicóloga.

Mas já diz sabiamente o ditado, em uma relação nem tudo é um “mar de rosas”, por isso é fundamental para a felicidade á dois acolher e aceitar o outro do jeito que ele é. Assim como apostar na reciprocidade tão essencial no relacionamento. “Um relacionamento é feito de trocas, e sempre é possível encontrar novas formas de estar juntos. Não costumo usar a expressão ceder como forma de adequação, mas sim de equilíbrio numa relação. Ninguém "faz" ninguém feliz. Ninguém tem o dever de nos fazer feliz. A felicidade é uma construção pessoal e responsável que cada um tem que assumir. O outro pode até estar inadequado à parceria que queremos na construção da nossa felicidade, mas a responsabilidade de ser feliz é absolutamente pessoal. A comunicação eficiente entre um casal pode levar a soluções simples e brilhantes, que contentam a ambos e cria um sentimento de cumplicidade e de responsabilidade pelo andamento da relação”, destaca Zenilce Bruno.

E onde fica a liberdade tão exaltada nos tempos modernos? Não só é possível ter liberdade mesmo estando compromissada com alguém, como ela deve existir entre qualquer casal que busque felicidade a dois. “Entre os casais felizes, parece ser recorrente o sentimento de que o casamento não unifica duas pessoas, a individualidade de cada um deve ser preservada. Contudo, é fundamental que haja condições para que o casal se reconheça como tal, ou seja, como duas pessoas com metas, objetivos e propósitos comuns”, teoriza Zenilce Bruno.

Respeitar a individualidade de cada um é mesmo fundamental quando se aposta na felicidade a dois. Mas para o produtor de eventos, Luan Mota, 27 anos, o melhor de estar junto é a parceria que se encontra quando se tem uma companhia. “Investir em ter amor, em ser feliz é uma transação sem risco, só ganhamos. E, se houverem momentos ruins serão divididos por dois, deixando o peso mais leve de se carregar. Quando se tem uma companheira que está, independentemente, ao seu lado, todo caminho longo é curto e todo o problema é pequeno”, ressalta Luan.

Para finalizar, outra boa experiência para se encontrar a felicidade ao lado de alguém é apostar na adoção de atitudes positivas no relacionamento. “Não se resume, apenas, ao seguimento de regras de comportamento, mas, essencialmente, de investir no valor de determinados pensamentos e ações como propiciadores de intimidade, amizade, erotismo, bom humor, cumplicidade e comunicação entre o casal”, concluí a psicóloga

Nove mandamentos para a vida a dois

Um dos grandes problemas da modernidade é o desencontro entre os casais, a busca da “alma gêmea” nos relacionamentos. Com base no princípio básico que, na vida de um casal, os dois juntos são mais importantes que um e outro separado, bem como se deve procurar a fórmula mágica do amor para ser feliz num relacionamento:

1. Os dois nunca devem se irritar ao mesmo tempo;

2. Nunca gritar um com o outro a não ser que a casa esteja em chamas;

3. Se um deve ganhar a discussão, deixe que seja o outro;

4. Se for inevitável criticar, faça-o com amor;

5. Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado;

6. Seja displicente com qualquer pessoa, menos com o cônjuge;

7. Nunca ir dormir deixando um acordo ou discussão pendente;

8. Cometendo um erro, preparar-se para admiti-lo e pedir desculpas;

9. Dizer, pelo menos uma vez ao dia, uma palavra de agrado ao outro.